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Apresentamos a seguir, os resumos e os slides das apresentações do último Dia Internacional de Atenção à Gagueira.

 

INTRODUÇÃO

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A fonoaudióloga Ma. Eliana Maria Nigro Rocha apresenta informações básicas sobre a gagueira: definição, tipologia de rupturas, problemas emocionais, comportamentos associados, incidência e prevalência, variabilidade, causas.

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PROCESSAMENTO AUDITIVO E GAGUEIRA

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A fonoaudióloga Ma. Maria Aurélia Faria Coimbra Amatucci apresenta seu trabalho de muitos anos em Processamento Auditivo e relaciona os achados desses conhecimentos com a gagueira. É importante frisar que o Processamento Auditivo é uma análise que vai muito além da conhecidíssima avaliação auditiva que pesquisa se uma pessoa escuta ou não e quais tipos de limitações auditivas possui. O Processamento Auditivo vai investigar COMO determinado indivíduo lida com os sons em geral e, mais especificamente, como lida com os sons  da fala que lhe chegam aos ouvidos. E faz esta análise através de uma investigação muito rica, que permite entender melhor os distúrbios nessa área e ter mais ferramentas para sanar essas dificuldades, focando o trabalho terapêutico exatamente nas áreas mais frágeis, ao invés de atirar no escuro.

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DIADOCOCINESIA EM CRIANÇAS COM E SEM DISTÚRBIO DE FLUÊNCIA

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A fonoaudióloga Ana Paula Ritto, mestranda em Ciências da Reabilitação na Faculdade de Medicina da USP, fala sobre sua pesquisa atual, denominada Diadococinesia em crianças com e sem distúrbio de fluência.” Foi solicitado a ela que introduzisse seu tema de modo que todos pudessem acompanhar seu trabalho. Podemos desde já adiantar que diadococinesia se refere à possibilidade de realizar repetições rápidas e sucessivas de movimentos, que é o que fazemos ao movermos lábios, língua e mandíbula enquanto efetuamos todo o processo que nos permite falar. O teste da diadococinesia oral avalia a função dos lábios e da língua durante a repetição de sílabas. Essa avaliação pode auxiliar a verificar a maturação e a integração neuromotora. Este é um recurso muito importante para podermos conhecer mais sobre os distúrbios da comunicação e neste caso, especificamente, saber mais sobre a gagueira. Um estudo que compara crianças com e sem distúrbio de fluência vai nos mostrar se essas crianças são diferentes sob este aspecto e em caso positivo, que diferença é essa e como isso pode afetar sua comunicação.

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ESTUDO MOLECULAR DOS GENES NA GAGUEIRA

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A biomédica Ma. Dayse Oliveira de Alencar foca a riquíssima e atualíssima área da genética, falando sobre o Estudo Molecular dos Genes na Gagueira. Ela é da equipe da DLE-Diagnósticos Laboratoriais Especializados, que oferece, entre inúmeros outros, um exame que nos diz respeito diretamente, uma vez que avalia o risco de persistência da gagueira. Quando a divulgação desse teste foi lançada, tivemos em uma das listas uma discussão acirrada sobre os méritos e a validade desse exame naquele momento das pesquisas. Além do fato das pesquisas terem avançado desde então e podermos ser informados sobre isso tudo, teremos a especial oportunidade de receber a informação diretamente de uma pessoa que faz parte da equipe da DLE e que tem em sua formação estudos dos quais ainda pouco sabemos.

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AUTOPERCEPÇÃO DA GAGUEIRA E IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA

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A gagueira é caracterizada por repetições de sílabas, prolongamentos e bloqueios e é evidenciada especialmente na fala espontânea das pessoas que gaguejam. No entanto, os portadores de gagueira, seus familiares e os profissionais da área sabem que esse é apenas um pequeno aspecto da questão, provavelmente o mais evidente, mas não necessariamente o mais danoso. A gagueira pode interferir diretamente não apenas na habilidade em se comunicar, mas em várias outras facetas da vida do indivíduo. Assim, as avaliações tradicionais que focam apenas as rupturas da fala estão sendo aos poucos substituídas por avaliações muito mais abrangentes que buscam obter do próprio indivíduo informações sobre o impacto da gagueira na qualidade de sua vida. É uma grande revolução que vem acontecendo no estudo da gagueira e a fonoaudióloga Dra. Eliane Lopes Bragatto da UNIFESP defendeu uma tese na qual foca esse tema, trazendo para o Brasil a possibilidade se alinhar, de modo ainda mais respaldado cientificamente, a esse movimento tão importante. Sua palestra, denominada Autopercepção da gagueira e impacto na qualidade de vida, nos traz detalhadas informações sobre isso tudo.

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OS JOVENS E A GAGUEIRA

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Houve uma mesa redonda denominada Os jovens e a gagueira em que foram discutidos temas relativos à vida desses jovens e a repercussão que a gagueira tem na mesma. A coordenadora da mesa foi a biomédica Waldelânia Pereira Marques e os participantes foram Adriana do Carmo Moreira, Fábio Yassuhiro Miyaoka e Gustavo Navarro. Todos eles têm vivência pessoal com a gagueira e são participantes frequentes dos encontros do Grupo de Orientação Discutindo-Gagueira de São Paulo. 

 

Os Jovens e a Gagueira


Ser jovem é maravilhoso, não importa se de espírito ou de aparência, a juventude é sempre encantadora. Porém ser gago não é bacana, e vou além: ser gago é ter uma fala que pode oscilar a cada palavra, é viver na irregularidade da comunicação.

Na vida passamos por diferentes fases de aprendizado e na gagueira também é assim: perceber que a fala é diferente, realizar esforços para falar “corretamente” e muitas vezes sentir angústia por não conseguir, passar pela fase de negação da gagueira, viver a tristeza de perceber na feição do ouvinte o riso disfarçado e a impaciência, conviver com a dúvida por não entender porque a palavra que está pronta não “sai”. Podemos falar fluentemente ou gaguejar nas diversas situações: parece estranho, mas é verdade.

A gagueira se manifesta em dependência de nossa individualidade: para alguns ela se mostra leve, branda e com poucas interferências, mas para outros, surge de forma intensa e invasiva.

Mas com o passar do tempo, aprendemos a lidar com ela, deixamos de fazer “truques”, não mais  nos escondemos, conseguimos esclarecer a dúvida da matéria com o professor na sala de aula e na presença de todos, passamos a falar ao telefone, a falar em público, enfim estamos crescendo, amadurecendo e pouco a pouco descobrindo que podemos, sim, nos comunicar com clareza e segurança.

A gagueira é somente mais um obstáculo em nosso caminho. Não devemos atribuir à gagueira a importância que na realidade ela não tem, pois das mais variadas formas todos nós conseguimos atingir o objetivo final que é a comunicação.

 

PLATEIA PRESENTE NO EVENTO

 

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